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Inovamos, sim – mas por quê?

Há quatro meses, fui convidada para participar de um painel sobre inovação durante o Congresso Nacional das Relações Empresa-Clientes, muito conhecido como Conarec, em setembro. É o principal evento brasileiro da área, e todo ano marcamos presença nele. Desta vez, a proposta era colocar executivos – de empresas tão diferentes quanto Mastercard, Getnet, Kimberly Clark, Atos e Alelo, além da Algar Tech – para discutir abertamente sobre inovação, compartilhando experiências, impressões e até angústias.

A provocação do painel me fez pensar muito sobre o tema nas semanas que se sucederam. Há anos estamos imersos nesse assunto, mas intensificamos bastante as iniciativas nos últimos tempos. Até as instalações físicas foram preparadas para que a organização passasse a respirar inovação. Para muita gente, esse empenho ainda causa dúvidas. Afinal, nossos negócios caminham bem mesmo nos segmentos mais tradicionais. Por que, então, tanta preocupação em inovar?

Uma questão de cultura

Inovar faz parte da cultura do Grupo Algar – literalmente. Inovação é um dos quatro atributos inseridos no nosso propósito de ser gente servindo gente. Outro atributo é perenidade. Estamos prestes a completar nosso primeiro centenário, e queremos chegar ao segundo e ao terceiro. Talvez não seja evidente logo de imediato, mas esses dois atributos têm muito a ver um com o outro, o que leva a uma primeira conclusão: inovamos porque queremos perenizar nossa existência.

A maneira como as pessoas se relacionam – inclusive com as empresas, que é justamente o segmento em que atuamos – passa por uma transformação completa. Se quisermos continuar sendo relevantes nos nossos mercados, precisamos nos adaptar para liderar o movimento de mudança. O segmento de BPO (business process outsourcing) está em plena disrupção e, portanto, não temos a opção de escolher entre inovar ou não. Para proporcionar aos clientes a evolução nos serviços que eles demandam, com uma experiência mais fluida e ágil, precisamos inovar.

Mas como é possível colocar isso em marcha em uma companhia com tantos anos de vida – e, portanto, com um legado enorme para carregar? Esse foi um dos questionamentos levantados durante o painel no Conarec. Na minha visão, o segredo está na colaboração. A evolução acontece de maneira natural nas empresas que conseguem criar um ambiente propício à colaboração.

Millenials e representantes da Geração X podem – e devem – trabalhar juntos em harmonia. Um executivo com pensamento estratégico não pode abrir mão do conhecimento acumulado por quem já chegou à casa dos 40 anos, nem do mindset ágil e flexível dos que mal passaram dos 20. O papel das organizações é exatamente fomentar um espaço para que essa diversidade aconteça com respeito, para que os papéis de cada um sejam integralmente compreendidos e para que a complementaridade entre eles possa, de fato, emergir. Quando se faz isto, a capacidade de inovar cresce exponencialmente, pois a diversidade aumenta a capacidade de pensar diferente. Todos ganham.

Nem sempre, é claro, isso acontece sem alguns tropeços. Do ponto de vista das organizações, também esperamos que as pessoas estejam abertas a acolher as mudanças. Para aquelas que estão, o desafio é chamar a atenção para a evolução, ou mesmo disrupção, do modelo de negócio, propiciando o caminho para o avanço necessário. Em outras palavras, é oferecer a elas a chance de que aprendam sobre as novas formas de fazer. O engajamento, acredite, será enorme, pois as pessoas em geral anseiam por fazer parte das transformações, sobretudo quando conseguem se conectar com o que está ocorrendo.

E daqui a cinco anos?

Durante o painel, também fomos instigados a imaginar o futuro. Como nós e nossas empresas serão daqui a cinco anos, considerando que a disrupção tem sido capaz de mexer com mercados inteiros em menos tempo que isso? É um exercício difícil de fazer. Planos, é claro, precisam ser estabelecidos. Mas mais importante do que saber como seremos no futuro – uma previsão que certamente erraremos – é assegurar que a organização tenha a capacidade de reagir rapidamente às mudanças que se impuserem. Nem tudo o que pensamos acontece na velocidade que imaginamos. Conseguir se adaptar aos novos cenários é, sem dúvidas, uma das habilidades que mais buscamos em quem trabalha conosco – aqui e agora.

Escrito por Tatiane Panato – Presidente da Algar Tech

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