Voltar

Caneta identifica o câncer em 10 segundos

O equipamento foi criado por uma cientista brasileira e já é considerado uma nova era no tratamento oncológico.

05 de outubro de 2017 / Por: Redação

Apesar do diagnóstico de câncer ser um momento difícil para todos os envolvidos, as notícias sobre o avanço da medicina nesse cenário são boas. E já que estamos no “Outubro Rosa”, nada melhor que compartilhar um deles com vocês.

Livia S. Esberlin, uma cientista brasileira, idealizou uma ferramenta que identifica o câncer em apenas 10 segundos, reduzindo em 150 vezes o tempo necessário para diferenciar tecidos doentes dos saudáveis, com quase 100% de precisão.

A MasSpec Pen se parece com uma caneta e é automatizada, descartável e biocompatível. Seu manuseio é simples: o cirurgião encosta a “caneta” no tecido e, com o pé, aciona um pedal que está conectado ao aparelho por um cabo e leva uma gota d'água até a sua ponta. Assim, é feito o recolhimento das moléculas do tecido, que são analisadas no computador e, em 10 segundos, o diagnóstico é feito.


Livia S. Esberlin, nos EUA, em 2014. (foto: Reprodução/Internet/purduesciencealumni)

O trabalho de Livia causa um impacto extremamente positivo em diversos aspectos, como mais precisão para a retirada total de tumores e a remoção somente de tecidos contaminados – o que afeta também na questão estética do paciente, como no caso do câncer de mama.

Além do diagnóstico que orienta o cirurgião no momento da operação de um tumor, a tecnologia poderá ser utilizada para fazer a biópsia de pessoas com suspeita de câncer. Hoje, esses resultados costumam demorar de uma a quatro semanas para sair, com o novo método, em segundos, o médico terá o laudo em mãos, podendo iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Por enquanto, a invenção consegue caracterizar tumores malignos de mama, pulmão, tireoide e ovário, incluindo seus subtipos - o que é de extrema importância para o tratamento.

O sistema foi testado em 253 amostras de tecidos humanos - saudáveis e doentes -, além de ter sido utilizado em roedores vivos, durante a cirurgia. A precisão foi de 96,6%. Segundo Livia, em 2018 devem ser realizados os primeiros procedimentos com pacientes na sala de operação.

Para realizar esse trabalho, que foi publicado na capa da revista Science Translational Medicine, Livia contou com a colaboração de uma equipe multiciplinar.

A previsão é que, em cinco anos, a tecnologia esteja disponível nos centros de excelência norte-americanos. E ainda tem mais: os cientistas estão trabalhando para ampliar a gama de cânceres sólidos que poderão ser identificados. “A ideia é ajudar o médico a achar a margem cirúrgica”, conta a pesquisadora.

SOBRE A BRASILEIRA LIVIA SCHIAVINATO EBERLIN

Natural de Campinas, Livia graduou-se em química e seguiu para os Estados Unidos, onde fez doutorado e pós-doutorado. Atualmente, a cientista é professora assistente e pesquisadora na Universidade do Texas, onde liderou a equipe de criadores da MasSpec Pen. Ela conta que, desde que começou os estudos de pós-graduação, tinha o sonho de desenvolver um projeto que tivesse aplicação prática na medicina.

Fonte: As coisas mais incríveis do mundo I Uai