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RH como protagonista

O RH no Brasil, quando a empresa oferece as mínimas condições de atuação, costuma fazer milagres

25 de julho de 2016 / Por: Redação

Graduado em direito pela Universidade Federal de Uberlândia (MG), com formação executiva em gestão estratégica de pessoas pelo Insead, na França, e em liderança de Recursos Humanos, pelo IMD, na Suíça, Cícero Domingues Penha possui mais de 35 anos de experiência em gestão de talentos humanos. O executivo é vice-presidente corporativo de talentos humanos no Grupo Algar e presidente da Universidade Algar.

Ao Mundo RH, o especialista em gestão de pessoas, destacou a importância estratégica de uma empresa ter um programa de universidade corporativa, a atuação do RH no Brasil em relação aos RHs de outros países e o papel da área de recursos humanos frente ao crescimento econômico. Acompanhe a entrevista:

MUNDO RH – Descreva quais foram os impactos e perdas sofridas pelos RHs das empresas brasileiras diante da crise econômica e política?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – Na crise as empresas passaram a ser governadas pelo financeiro. O RH perdeu força na maioria delas, projetos cortados ou adiados, redução dos investimentos em treinamento e maior dificuldade em convencer nas ações de desenvolvimento de talentos.

MUNDO RH – Qual deve ser o papel do RH frente às demandas que virão por conta da “retomada” da economia que se anuncia para os próximos meses?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – Havendo retomada da economia o RH precisa voltar a ser o protagonista da alavanca chamada valorização dos talentos humanos da organização. Precisa compreender o momento que a empresa está passando e as perspectivas de crescimento com a retomada e, apresentar planos e projetos necessários a qualificação e motivação dos colaboradores. Haverá demanda por gente mais qualificada, pressa em admitir talentos com experiência comprovada e também a necessidade de melhor gestão sobre políticas de pessoal, como por exemplo, melhoria do sistema de remuneração e benefícios.

MUNDO RH – Quais benefícios capazes de atrair e reter talentos o senhor acredita que devem ser analisados como eficazes pelos RHs?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – A primeira coisa é ser reconhecida como um bom lugar para se trabalhar. Por isso há que se investir na melhoria do clima organizacional, preparar melhor as lideranças, começando pelos supervisores, instituir um bom plano de remuneração variável e demonstrar que há oportunidades de carreira.

MUNDO RH – Qual deve ser o pensamento de um RH na hora de criar este pacote de benefícios de atração e retenção?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – O pensamento precisa ser ganha, ganha! Precisa ser algo sustentável para não ter que ficar retroagindo, sofrendo ameaças de que a área de TH é a vilã da história porque está só aumentando custos.

MUNDO RH – Para que tenhamos cada vez mais profissionais bem treinados nas organizações, como o senhor analisa a importância da Universidade Corporativa?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – Empresas com um grande número de associados (empregados) precisa desenvolver sua própria escola para treinar e educar melhor sua força de trabalho. Pode ser uma universidade corporativa ou uma academia, o importante é que haja um processo sério, continuo e a vontade de realmente investir no desenvolvimento das pessoas.

MUNDO RH – De que forma as empresas devem passar a ver a Universidade Corporativa como uma ferramenta estratégica no fortalecimento dos negócios?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – Sim, a universidade corporativa é instrumento de alavancagem estratégica. Gente mais treinada e melhor educada fazem diferença perante a concorrência e os clientes.

MUNDO RH – Como o senhor analisa a atuação do RH no Brasil em relação aos RHs de outros países? Quais as diferenças?

CÍCERO DOMINGOS PENHA – O RH no Brasil, quando a empresa oferece as mínimas condições de atuação, costuma fazer milagres. O primeiro deles é nadar contra um orçamento cada vez mais restrito e o segundo é ter que achar soluções pragmáticas para as relações do trabalho frente a uma legislação caduca e uma justiça trabalhista paternalista. Em outros países, os avançados, as questões trabalhistas são menos regulamentadas e os custos de encargos são muito inferiores que os nossos.