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A Estratégia fora dos Power Points

As funções básicas da administração devem ser percebidas no cotidiano da empresa e, sobretudo, perceptíveis aos clientes.

01 de agosto de 2016 / Por: Redação

Engajar pessoas em torno de um propósito não é tarefa fácil para os líderes.
Em um cenário de incertezas políticas e econômicas esse papel ganha contornos ainda mais desafiadores. Afinal, nesses momentos, a execução da estratégia pode se perder entre os meandros e urgências das operações. O líder precisa fazer a diferença ao dar o tom e garantir a disseminação do caminho a ser trilhado entre seus colaboradores. Cada um precisa ter clareza da importância do seu trabalho para que o plano corporativo se concretize e se transforme em resultados.

As relações de confiança e transparência são reforçadas por meio da autonomia com responsabilidade e da participação em todos os processos decisórios. Este conjunto de práticas leva a uma cultura corporativa democrática que retroalimenta as relações internas, com os clientes e demais stakeholders. Para isto, é preciso que as quatro funções básicas da administração – planejar, organizar, dirigir e controlar – saiam dos Power points, sejam percebidas no cotidiano da empresa e, sobretudo, perceptíveis aos clientes. Cito aqui um exemplo ocorrido na Algar Telecom, braço de telecomunicações do grupo Algar, em parceria com a UniAlgar – universidade de negócios do Grupo. 

Tendo a proximidade do cliente como uma de suas principais estratégias, a operadora criou, em 2014, a Diretoria de Relacionamento com o Cliente. O objetivo era garantir a melhor experiência no relacionamento com a empresa, por meio de ações como atendimento multicanal e investimentos na qualidade do atendimento humano. Para isso investimos em tecnologia e pessoas: o plano de formação das equipes incluiu treinamento na Disney, o que combinou aprendizado com uma vivência enriquecedora. Os índices de satisfação e fidelidade dos clientes foram recordes desde então. 

Este é um exemplo de estratégia alinhada aos resultados e, mais ainda, um sinal de que os executivos da empresa estão comprometidos com o caminho traçado no planejamento. Uma ação perceptível tanto interna quanto externamente, pois clientes que têm a necessidade de um atendimento específico foram atendidos de forma personalizada.

Outro ponto importante é perceber o timing para a execução e disseminação da estratégia, sobretudo, com agilidade para acompanhar os sinais de mercado. Neste quesito, a eficiência operacional é primordial para garantir fôlego em cenários como o que enfrentamos hoje. As lideranças devem também evitar que o clima pessimista contamine a equipe, principalmente, nas empresas que estão resilientes à crise. É preciso ter foco nas oportunidades e soluções de contorno.

Ações como revisão de processos, automatização e centralização de algumas atividades favorecem o resultado, mas se estiverem alinhadas com uma equipe motivada e comprometida com o propósito da companhia, a condução da estratégia tende a ser bem-sucedida em conjunturas mais estáveis ou quando há desequilíbrio.


Divino Sebastião de Souza é vice-presidente de Operações do Grupo Algar