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Gentileza gera gentileza também dentro das empresas

Veja como criar um novo comportamento pautado na cordialidade, respeito ao próximo, solidariedade e na gentileza no trabalho.

09 de julho de 2014 / Por: Redação

Gentileza

Muito se fala sobre o que uma empresa deve fazer para ter sucesso no mundo dos negócios e, investir em gestão é, sem dúvidas, um dos pontos principais para isso.

Pensando em transformar os métodos já existentes de trabalho com a gestão de pessoas, Luiz Gabriel Tiago, conhecido também como Sr. Gentileza, criou a Sr. Gentileza Educação Corporativa, uma empresa especializada em consultoria e treinamentos de pessoas, com foco na gentileza corporativa.

A proposta é quebrar o paradigma negativo existente sobre o tema e criar um novo comportamento pautado na cordialidade, respeito ao próximo, solidariedade e na gentileza no trabalho,

Luiz explicou para nós um pouco mais sobre como tudo isso funciona.

Como nasceu a SGEC?

Grande parte dos profissionais de hoje trabalham sobrecarregados e têm uma rotina muito intensa. Precisam se preocupar com horários, reuniões, imprevistos, resultados e metas. Diante desse cenário competitivo, perderam a suavidade e leveza (importantes para uma vida saudável) deixando de lado alguns valores importantes. Ser gentil não é prioridade de ninguém mas sentem falta de bons tratos, de relações interpessoais cordiais, de um clima organizacional humanizado e de paz. A gentileza é um predicado que reúne todos esses itens e ainda causa bem estar a todos.

Por ter feito parte desse grupo de pessoas, viver exausto e cansado de opressão, busquei ajuda através da educação – que é fundamental em todos os níveis – desde a formação de pessoas na escola à capacitação de adultos no ambiente de trabalho. Durante meu curso de mestrado e doutorado na área, direcionei minhas pesquisas para a educação corporativa através de valores humanos. A gentileza foi o que mais se adequou à nossa realidade brasileira, já que carecemos dela e, ao mesmo tempo, não agimos em prol da sua prática.

A teoria não teria validade nenhuma se não estive formatada através de um método, que foi desenvolvido e compartilhamos com empresas de todo o Brasil. Quando chegamos a um resultado final, ou seja, com técnicas e estratégias consistentes que pudessem ser aplicadas in loco, criamos a SGEC – Sr. Gentileza Educação Corporativa. Acreditamos que a gentileza deve ser acessível a todos, pois possui dentro dela a multiplicidade e a generosidade. Atuamos em qualquer área e em grupos de qualquer porte. Não importa o tamanho da empresa; adaptamos e ajustamos nossos programas à realidade do contratante e somos os únicos a fazer isso em toda a América Latina.

Qual a proposta da startup?

Nossa proposta inicial era dividir esse conhecimento, ou seja, mostrar para todas as empresas que é possível gerar resultados através da prática da gentileza. Por ter sido “esquecida na prateleira”, as pessoas simplesmente se toleram e fingem que convivem bem umas com as outras. Apesar de todo o empenho dos Gestores, em especial os de Recursos Humanos, esbarramos num gargalo que é o relacionamento interpessoal. Muitos investem em programas de treinamentos sem sucesso, pois não tratam o problema em sua origem.

Quando demonstramos a eficácia dos atos gentis, redescobrem (os gestores) que há um universo de possibilidades através desse método e se sentem motivados a multiplicá-lo com suas equipes. Numa espécie de ‘corrente’, mudam seu comportamento e convencem o grupo através de exemplos, que devem ser simples, desde comprar um bombom a atender o ramal interno com delicadeza.

A gentileza é contagiante e queremos exatamente isso! Desejamos que os profissionais se empolguem com o tema e decidam colocar em prática o que existe dentro de cada um. Tornar-se uma pessoa gentil é questão de tempo e hábito. Esse é o nosso diferencial: percorrer esse caminho juntos.

De onde veio o interesse em focar na gestão corporativa?

Muitos pregam um modelo de gestão baseado em valores humanos, mas rapidamente esquecem e se deixam levar pela intensidade de suas rotinas. Para que as pessoas se deem bem, precisam aprender a focar no lado positivo das coisas e não priorizar o negativo, como acontece sempre. Por exemplo, quando brigamos com nossos parceiros, esquecemos tudo o que já houve de bom e o que importa é o momento. Isso serve para os namoros, casamentos e relações profissionais.

É mais fácil que tudo fique bem em casa, pois não temos a influência de muitas pessoas e não somos convencionados a agir como os outros agem. Nas empresas, o trato humano se desgasta com muita facilidade e acaba ‘contaminando’ quem estiver ao redor. Esse mal estar pode durar por muito tempo e, quando resolvemos esquecê-lo, já se alastrou pelos corredores e outras pessoas foram envolvidas. Trata-se de um ciclo vicioso e um obstáculo à paz do clima organizacional.

Convivi muitos anos em ambientes hostis e não acreditava em soluções. Por mais que os gestores se esforçassem para amenizar essas crises de relacionamento, num piscar de olhos aconteciam outras. Por esse motivo, busquei um antídoto e remédio que realmente funcionassem e superassem essas adversidades. A gentileza tem esse poder e, inquestionavelmente, é uma mola propulsora ao sucesso organizacional.

Quantos anos vocês estão no mercado?

Estamos no mercado de consultorias em treinamentos desde 2010, mas a ideia já existia desde 2001, quando percebi a necessidade de valores humanos nas empresas.

Quais as principais dificuldades que encontraram no começo do negócio?

Encontramos várias dificuldades no início, mas posso elencar as principais que foram a inserção no mercado de consultorias em treinamentos e a aceitação do tema ‘gentileza corporativa’ como uma ferramenta de capacitação. Apesar de nunca termos tido concorrentes com a mesma proposta temática, encontramos muita resistência por parte das organizações, pois consideravam nossa proposta ‘supérflua’ e desnecessária. Esse, na verdade, é um paradigma que rompemos até hoje, pois a prática de atos gentis não é valorizada pelas pessoas em geral, em especial por grupos e corporações agressivas em relação a resultados e faturamento.

Depois de muito esforço para conquistar a confiança das empresas e através de trabalho gratuito, ou seja, aplicando nossos programas em parceiros sem retorno financeiro, abrimos nosso leque de atuação, pois os resultados eram fantásticos. Nossa maior estratégia de divulgação é a comunicação ‘boca-a-boca’ e a maioria dos nossos clientes chegou até nós por indicação e não por divulgação direta.

O que é “gentileza corporativa”? E de onde veio o nome “Senhor Gentileza”?

A gentileza é um conjunto de valores e predicados que, somados, formam um manual de conduta para o homem na sociedade (em casa, com estranhos e no trabalho). Associamos esse grupo de valores à rotina profissional de forma que impulsionem as pessoas a praticarem de forma espontânea, natural e despretensiosa. Assim, melhoram suas relações humanas, humanizam o clima organizacional, prospectam novos clientes e fidelizam os que já existem. A ‘gentileza corporativa’ é um programa que implantamos nas empresas com foco em resultados, claro, mas que favoreça (em primeiro lugar) o capital humano que é o responsável por seu sucesso.

Há alguns anos criei um blog na internet para desabafar e sugerir ações de paz no ambiente corporativo. A intenção era dividir com os leitores minhas frustrações e conflitos na empresa que trabalhava, ou seja, uma válvula de escape para as chateações de todos os dias. Uma das seguidoras (sim, o blog passou a ser cada vez mais visitado) não sabia meu nome e fez um comentário numa postagem dedicado ao ‘Sr. Gentileza’, ao responsável pelas publicações. A partir dali, todos que deixavam qualquer comentário, se dirigiam a mim da mesma forma. O nome dessa seguidora é Ana Roberta e é natural de Barra Mansa, interior fluminense.

Esse apelido foi um presente de Deus na minha vida, pois é um privilégio ser conhecido por alguém que ‘prega’ a gentileza no trabalho. Como uma onda global, se alastrou pela internet e hoje conhecem esse codinome e continuam sem saber quem é o Luiz Gabriel (risos).

O blog existe até hoje num formato mais moderno, claro, e mesmo com a proliferação de outras redes sociais, sobrevive. O link é: gentilezanotrabalho.blogspot.com

Como funcionam os treinamentos?

Todo o nosso trabalho gira em torno dos treinamentos. Desenvolvemos alguns programas com método próprio que são, inclusive, premiados nacionalmente. Os treinamentos possuem dois formatos básicos: workshops e jogos (games corporativos). Geralmente a carga horária de cada um deles é de oito horas que são distribuídas de acordo com o perfil dos participantes e das empresas contratantes.

Nos últimos tempos os jogos (games) têm chamado mais a atenção dos nossos clientes por causa do seu dinamismo e competitividade. Na verdade, todas as nossas provas são bastante saudáveis e os objetivos são aplicar a gentileza do dia a dia profissional mesmo sem tempo e sofrendo pressão. Os participantes conhecem na prática como inserir atos gentis na sua rotina independente da opinião contrária ou resistente dos colegas.

Vocês oferecem outros serviços também? Quais?

Adotamos algumas estratégias de sustentação em torno dos programas de treinamentos. Acreditamos que os encontros em sala de aula não são suficientes para garantir a eficácia do nosso projeto. Por isso acompanhamos de perto a evolução dos participantes e das empresas através de encontros temáticos e estruturados como o ‘Café com Gentileza’, “Painel da Gentileza’ e implantamos a ‘Moeda GVP’ que significa ‘Moeda Gentileza-vale-a-pena”.

O intuito desses programas é provocar reações positivas nas pessoas através de um bate papo informal (para eles) que gere informações preciosas (pra gente) como possíveis crises nas relações humanas, conflitos colaborador-empresa ou líder-liderado e outras variáveis que são importantes para o desenrolar da consultoria.

É fundamental nessas etapas criar um vínculo entre eles e nossos consultores. Uma relação baseada na confiança nos proporciona uma riqueza de detalhes pois conseguimos enxergar nas entrelinhas. Geralmente os próprios gestores e líderes não conseguem visualizar algumas soluções por estarem diretamente envolvidos nas crises. As consultorias especializadas são ferramentas interessantes e estratégicas para sanar esses problemas e trazer soluções.

Os resultados são logo observados?

Os resultados são praticamente imediatos por causa da ilustração que permeia todos os níveis do nosso trabalho. A gentileza (temática presente em todos os projetos) envolve as pessoas de uma forma muito sublime, mas intensa. Todos acabam se apaixonando pelo tema e acreditam na sua aplicabilidade.

Enfatizamos a necessidade de valores humanos no trabalho e quando abordamos aqueles que estão faltando no ambiente profissional (especificamente), sensibilizamos a todos. Além disso, é um tema rico e não poderia passar despercebido pelas pessoas.

Em alguns casos mensuramos os resultados e acompanhamos mesmo após o término do contrato para monitorar a escala de evolução. Temos nos surpreendido bastante pois quando precisam contratar um novo colaborador e esse não se encaixa ao perfil social da empresa, acaba se ‘convertendo’ à prática da gentileza pois se depara com um clima organizacional humanizado e organizado.

Os resultados também são mensurados pelos números. Um hotel da região da Avenida Paulista em São Paulo teve um aumento no faturamento de 25% logo no primeiro ano e de 30% no segundo ano, ou seja, mantém um crescimento anual e surpreende pois os concorrentes não ultrapassaram os 10%.

O falecido Profeta Gentileza (José Datrino, 1917-1996) afirmava com muita convicção que “gentileza gera gentileza”. Em pleno século 21, posso garantir que gentileza gera prosperidade e muitas outras coisas boas.

E por que as empresas devem investir em gestão?

As empresas devem investir – antes de qualquer coisa – em capacitação e qualificação dos seus colaboradores. Não adianta implantar um setor de Recursos Humanos e continuar na escuridão considerando qualquer tipo de treinamento como despesa. Os investimentos em gestão devem começar na valorização do capital humano, em projetos de humanização do clima organizacional e na qualidade de vida dos colaboradores. O desenvolvimento humano é primordial para a expansão e manutenção do sucesso de qualquer corporação.

Muitos gestores são entregues ao cargo de liderança por conveniência ou porque era muito bom naquilo que fazia antes. Porém, alguns valores precisam de desenvolvidos ou lapidados. Um deles e um dos mais importantes é a empatia, pois quem não consegue se colocar no lugar do outro não pode comandar pessoas.

Além disso, os profissionais de Recursos Humanos precisam ter autonomia para desenvolver projetos e verba para executá-los. Muitas vezes realizam uma força-tarefa interna para implementar ideias que acabam não vingando por falta de recursos.?

Vamos lembrar que pessoas felizes produzem e vendem muito mais. Não adianta ser feliz em casa e frustrado no trabalho. Ser uma pessoa plena demanda muita felicidade em todos os âmbitos da vida.

Quais as principais dificuldades das empresas atualmente quando se fala em gestão?

O principal entrave nas empresas é a gestão de pessoas e a maior dificuldade é em como lidar com elas. A maioria dos nossos clientes nos aciona por causa de problemas no relacionamento interpessoal que acabam impactando o clima organizacional e os resultados consequentemente.

Quando chegamos percebemos um cenário desestruturado apesar de todas as tentativas (válidas) dos líderes e gestores de Recursos Humanos. Sempre escutamos a frase “santo de casa não faz milagre”, por isso resolvem investir em uma consultoria especializada.

As relações humanas e gestão de pessoas são um dos maiores desafios de todos os empreendimentos hoje, de pequeno e grande porte, de bancos a hospitais, não importando a quantidade de colaboradores. A gentileza corporativa é a nossa especialidade e, mesmo com resistência a mudanças por parte de alguns participantes, vencemos as barreiras e colaboramos para restabelecer a equilíbrio.

O que os gestores podem fazer para manter a equipe motivada?

É comum as pessoas atribuírem a baixa produtividade à falta de motivação. Querem trabalhar com disposição, prazer e não sabem como encontrar um caminho para isso. Muitos gestores e líderes são cobrados em motivar suas equipes, devemos encorajá-los e manter a chama acesa. A questão do momento é: será que os gestores também estão desmotivados? Se isso acontece, como engajá-los em programas motivacionais?

Percebemos nesses últimos anos que os líderes estão em busca de uma ‘injeção’ de ânimo apesar da pressão e opressão no trabalho. São cobrados por resultados e essa cobrança é repassada de uma forma que não é correta.

Gestor é aquele que gerencia pessoas e processos. Líder é aquele que conduz pessoas e as convence através dos exemplos. Quero dizer que, através de um modelo de conduta, influencia os demais a fazerem a mesma coisa. Consideramos a gentileza um predicado estratégico nesse ponto pois, através da sua prática (rotineira), melhora as relações humanas de uma forma saudável. Alguns profissionais que são atendidos por nossos programas de consultoria questionam no início o que os manterão motivados a continuar. É como ir à academia de ginástica – o mais difícil é ir no primeiro dia. Depois, o organismo fica condicionado aquilo e, quando você não vai, o cérebro emite um sinal de frustração.

Manter pessoas motivadas através de atos gentis objetiva a humanização organizacional e, de quebra, desperta a vontade de produzir e fazer mais e mais.

O que esperam para o mercado de gestão nos próximos anos? Acreditam que alternativas como a de vocês serão mais comuns?

A tendência para os próximos anos é que aumente o número de empresas especializadas em bem estar como a SGEC. Até admito a possibilidade de outras se dedicarem ao tema ‘gentileza’ como ‘carro-chefe’ dos negócios. Entretanto, hoje já sentimos a necessidade das empresas que nos contratam. Elas são um reflexo do que acontece em massa no mercado. São grupos inteiros corrompidos e desgastados pela falta de um ambiente corporativo saudável e sem saídas emergenciais.

O ‘pulo do gato’ para novas iniciativas e startups é o de investir em humanização desde o início. Muitos se enganam em pensar que está tudo bem e que não precisam investir em capacitação logo cedo.

No futuro, após uma maturidade do cenário corporativo brasileiro, pensamos em atuar basicamente para manutenção e não para resolução de problemas. Inclusive já nos preparamos para essa perspectiva e estaremos prontos quando necessário.

E para a empresa? Pretendem expandir, levar os serviços para outras cidades?

Começamos a atuar no mercado em 2010 e, de lá pra cá, tivemos um crescimento de 400%. Somos otimistas sempre e confiamos numa escala contínua de desenvolvimento. No ano passado (2013) atuamos em 12 estados brasileiros e em 135 cidades diferentes. Nossa equipe é composta de 13 profissionais entre consultores e gerentes comerciais. Apesar da SGEC ter sido fundada em São Paulo/SP, nossas operações estão centralizadas no Rio de Janeiro/RJ desde o início de 2013. A capital fluminense é uma das que mais absorvem nosso trabalho, talvez por causa dos muitos investimentos em capacitação decorrentes da Copa do Mundo e Olimpíadas.

Na verdade, todo o país está em expansão e vamos para lugares que não imaginávamos antes. É gratificante ver que muitas empresas estão profissionalizando suas gestões e acreditam em valores humanos como a gentileza.