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A blockchain e a nova forma de fazer negócios

Entenda a origem dessa tecnologia, como as empresas estão a utilizando e como ela pode mudar drasticamente grandes mercados.

01 de agosto de 2017 / Por: Redação

É inquestionável o poder transformador da internet. Ela já mudou a forma como nos comunicamos e ergueu e destruiu mercados inteiros - como, por exemplo, a mudança na indústria fonográfica, que transitou de CDs e vinis para a música digital.

E como já dizia Mark Zuckerberg, criador do Facebook, a internet é “um campo aberto e pouco explorado”. Diante disso, não podemos esperar nada além de ainda mais mudanças, que já começaram: para muitos analistas, já existe uma tecnologia na internet capaz de provocar um terremoto em vários mercados. Ela é chamada de blockchain.

ENTENDA A BLOCKCHAIN

Para falar de blockchain, vamos primeiro falar em bitcoins. Entre as tecnologias como pagamentos por celular (Apple Paly), empréstimos diretos (Leding Club) e meios de pagamento (Square e PayPal), temos também as criptomoedas - chamadas também de bitcoin.

Com o bitcoin é possível fazer transferências e pagamentos de pessoa a pessoa, sem precisar de intermediários - como bancos ou casas de câmbio. Assim, as pessoas estão vendendo seus produtos em todo o mundo sem utilizar contas bancárias ou cartões e sem pagar taxas.

A tecnologia que baseia o bitcoin é a blockchain – cadeia de blocos. Ela é nada mais que um enorme banco de dados, público, remoto e inviolável, onde são registados arquivos digitais de todos os tipos – desde uma compra, um texto ou até mesmo um software. Esses registros possuem uma assinatura, formada por uma sequência de letras e números. É uma espécie de banco e/ou cartório, digital, com menos custo e mais eficiência. 


AS EMPRESAS ESTÃO DE OLHO

BANCOS

Por ter o poder de autenticar qualquer tipo de transação, contrato, documentação ou título, a blockchain vem atraindo o interesse de grandes empresas, que visam reduzir custos, eliminar a possibilidade de fraudes e desenvolver novos produtos.

O impacto maior, até agora, é nas instituições bancárias, que já estão imersos nessa tecnologia e a veem como um caminho sem volta. De acordo com um estudo da Deloitte, 80% dos bancos do mundo irão criar projetos com a blockchain ainda este ano.

“Em 2015, começamos a entender a blockchain. Em 2016, veremos as primeiras provas de conceito. Em 2017, teremos as primeiras aplicações chegando ao mercado, que vão se popularizar até 2020. Em 2025, elas estarão dominando vários mercados”.

Chris Church, diretor de desenvolvimento de negócios da Digital Asset, em um fórum sobre blockchain.

Um estudo do Santander aponta que em 2022 a cadeia de blocos deve gerar uma economia de US$ 20 bilhões para os bancos.


ALÉM DO FINANCEIRO

A blockchain é um oceano azul para diversos mercados. Ela pode ser usada em processos como votações, registros de histórico médico, certificados educacionais e até conceitos abstratos, como a governança de empresas.

Já estão surgindo algumas iniciativas nesse sentido. Veja algumas delas e inspire-se:

- A Microsoft lançou uma plataforma de serviços de blockchain e já possui uma lista de 45 fornecedores cadastrados para dar suporte aos clientes.

- Existem sites de serviços baseados em blockchain que asseguram a existência de documentos (proofofexistence.com) e atestam a integridade de assinaturas digitais (BlockSign).

- A Nasdaq vai utilizar a blockchain em um teste na bolsa da Estônia, será um mecanismo que permitirá aos acionistas participarem de decisões de suas empresas pela internet.

- A Ascribe possibilita que artistas emitam impressões limitadas de suas obras em versão digital, podendo rastreá-las na internet e reivindicar a autoria, caso alguém as copie.

- A Everledger usa a blockchain para registrar o caminho de diamantes, individualmente, da mina ao consumidor final.

- A Arcade City, potencial concorrente do Uber, vem com um modelo de negócio que elimina o intermediário entre usuários e motoristas.

- Na Estônia há um programa de residência eletrônica (e-residency). Por meio dele, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode ter uma identidade fornecida pelo governo local. O que traz a possibilidade de operar uma empresa sob a legislação da Estônia.


NO BRASIL

No Brasil, a Original My é um bom exemplo de empresa que utiliza a tecnologia: no varejo, ela trabalha com o registro de documentos digitais na blockchain - músicas, patentes, obras de arte, contratos e documentos. No atacado, a Original My serve de ponte para empresas que queiram registrar documentos internos na cadeia de blocos.

Há também a Blockchain Academy, que objetiva disseminar a nova tecnologia no mercado brasileiro.

“Como a blockchain serve para muitas coisas, mas não para todas as coisas, e ainda há muito pouca informação boa disponível a respeito do assunto, nós lançamos a Blockchain Academy”, Rosine Kadamani - Sócia Fundadora da Blockchain Academy.

Ainda há muitas ressalvas sobre a blockchain, mas o que podemos ter certeza é que dessa tecnologia o mundo jamais será o mesmo.

Fonte: Época Negócios I Revista HSM